NOTA DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ECONOMIA ECOLÓGICA AOS PRESIDENCIÁVEIS

A Sociedade Brasileira de Economia Ecológica (ECOECO), entidade civil de caráter científico, vem respeitosamente dirigir-se aos ilustres candidatos à Presidência da República Federativa do Brasil, Senhores Fernando Haddad e Jair Messias Bolsonaro, a fim de solicitar-lhes compromisso público com as seguintes pautas, consideradas pela nossa Sociedade como essenciais para a prosperidade sustentável da nação brasileira:

i) Continuidade da participação brasileira no Acordo de Paris e fortalecimento da Política Nacional de Mudanças Climáticas. O Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC) divulgou no início de outubro de 2018 um Relatório especial em que: (1) reitera que as atividades humanas – sobretudo a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento – já causaram um aquecimento médio global de cerca de 1oC acima do nível pré-industrial; (2) afirma que esse aquecimento deve prosseguir, atingindo 1,5oC entre 2030 e 2052, se as emissões de CO2 não forem forte e imediatamente reduzidas; (3) calcula que, para se evitar tal nível de aquecimento global, as emissões líquidas de CO2 (emissões menos sua absorção pela biomassa e por outros mecanismos) decorrentes das atividades humanas devem cair para cerca de 18 bilhões de toneladas já nos próximos 12 anos, e devem estar zeradas até 2050, mantendo-se zeradas a partir de então;

ii) Estímulos consistentes e contínuos para o aumento da participação das fontes eólica e solar na matriz energética brasileira;

iii) Garantia da solidez institucional dos órgãos ambientais e manutenção do Ministério do Meio Ambiente;

iv) Defesa inegociável da preservação e recomposição da cobertura vegetal dos biomas brasileiros e proteção dos grupos sociais que neles habitam. A FAO afirma: “Não podemos viver sem florestas”. Teremos, de fato, um mundo muito mais quente e mais seco sem elas. A manutenção das florestas e o reflorestamento são fatores cruciais na agenda de mitigação necessária para manter o aquecimento abaixo de níveis catastróficos. Salvar as florestas do mundo todo e em especial a Floresta Amazônica, a maior floresta tropical do mundo, é ao menos tão importante para o Brasil e para o mundo quanto a descontinuação dos combustíveis fósseis. Florestas são imprescindíveis para a manutenção da biodiversidade, para manter as chuvas, para a agricultura, para a reprodução social de vários grupos e, notadamente, para a regulação do ciclo do carbono;

v) Obediência estrita ao Estado Democrático de Direito.

A ECOECO repudia qualquer forma de violência, seja ela concreta ou simbólica, verbal e/ou física. Nossa Sociedade coloca-se, ainda, frontalmente contra todo tipo de ataque aos valores republicanos e às distintas formas de discriminação e preconceito que envilecem a convivência harmoniosa em nosso rico e diverso Brasil.

Campinas-SP, 19 de outubro de 2018

Prof. Daniel Caixeta Andrade
Presidente ECOECO (2018-2019)

Prof. Clóvis de Vasconcelos Cavalcanti
Presidente de Honra ECOECO

A nota pode ser lida no link a seguir.

Diretoria da ANPUR extremamente preocupada com os atos criminosos de intolerância e ódio

A Diretoria da ANPUR extremamente preocupada com os atos criminosos de intolerância e ódio que vem sendo propagados no interior de várias universidades brasileiras, resolveu expedir ofício aos Reitores da UnB, Unicamp, UFU e USP cobrando ações no sentido de investigar e punir tais atos.

Ofício enviado à Reitora da UnB

Ofício enviado ao Reitor da UFU

Ofício enviado ao Reitor da USP

Ofício enviado ao Reitor da Unicamp

Nota Pública do Sistema de Museus, Acervos e Patrimônio Cultural – 10/09/2018

Em reunião do Sistema de Museus, Acervos e Patrimônio Cultural, órgão ligado ao Fórum de Ciência e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro, consagrada à elaboração do Orçamento 2019, dirigentes de museus e espaços de ciência, assim como Diretores de Faculdades e Institutos com sede em prédios tombados resolveram dirigir-se à comunidade universitária e à sociedade em geral para os esclarecimentos que seguem.

1. A UFRJ é detentora e responsável por extraordinário patrimônio cultural, em que se destacam, além do prédio que abrigou o Museu Nacional, 13 prédios tombados – seja pelo IPHAN, INEPAC ou IRPH, seja por mais de um desses órgãos de tutela.

2. Também integram este patrimônio, além do Museu Nacional, mais 15 outros museus e espaços de ciência, nas mais diversas áreas de conhecimento, como, por exemplo: Museu D. João VI (Escola de Belas Artes), Museu da Geodiversidade (Instituto de Geociências), Museu da Escola Politécnica, Casa da Ciência, Espaço Memorial Carlos Chagas Filho (Instituto de Biofísica), Observatório de Valongo, etc.

3. O Sistema de Informação e Bibliotecas (SiBI) integra e coordena 50 bibliotecas, muitas das quais concentram ricas coleções de obras raras, que vão do campo das Belas Artes à Medicina e Engenharia, que preservam e contam a história da educação, da ciência, da cultura e da arte, nacionais e internacionais.

4. Esse patrimônio, os acervos e coleções, os museus e espaços de ciência são parte integrante da vida universitária, das atividades regulares de ensino, pesquisa, extensão e difusão científico-cultural, que atendem tantos a estudantes e pesquisadores nacionais e estrangeiros, quanto às crianças e jovens de nossas escolas de ensino fundamental.

5. Por isso mesmo, tal patrimônio é inseparável da Universidade e está diretamente engajado no cumprimento de seus objetivos e compromissos, sem falar em suas obrigações constitucionais. Por sua dimensão, riqueza, diversidade e abrangência, é patrimônio também da cidade, do estado, da nação, em síntese, do povo brasileiro… para quem educação, ciência e cultura constituem bens públicos, e não mercadorias.

6. Nesse momento, a comunidade universitária, ainda traumatizada pela perda incomensurável decorrente do incêndio de nosso maior, mais antigo e mais importante Museu, só pode lamentar que tenham sido desprezados ao longo dos anos nossos incessantes reclamos por recursos adequados, encaminhados à União, através do Ministério da Educação, do Ministério da Cultura e do Ministério da Ciência e Tecnologia (agora Ministério da Comunicação, Ciência, Tecnologia e Inovação).

7. Tão ou mais grave quanto a omissão das autoridades federais ao longo dos anos que se passaram é a tentativa de esconder sua (ir)responsabilidade, buscando culpar e criminalizar justamente aqueles que, diuturnamente, têm lutado para tentar impedir que a memória da nação, de sua cultura e ciência virem pó. Aos atuais e antigos diretores do Museu Nacional, ao atual e aos antigos reitores da UFRJ, todos escolhidos pela nossa comunidade de forma democrática, reafirmamos nossa convicção e fé de que honraram e continuam honrando a confiança neles depositada pela comunidade universitária e pela sociedade brasileira.

A nota pode ser obtida em formato PDF através deste link.

MANIFESTO DE PESAR PELO INCÊNDIO DO MUSEU NACIONAL

A Diretoria da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (ANPUR) vem, por meio desta, manifestar sua profunda tristeza e pesar pelo incêndio do Museu Nacional, ocorrido na noite de ontem, que destruiu parte fundamental do Patrimônio Histórico, Cultural e Científico Brasileiro.

Tal tragédia anunciada apenas explicita mais uma vez a crise profunda pela qual a Cultura, Educação, Ciência e Tecnologia nacionais vêm passando em função de décadas de descaso com a distribuição e a alocação dos recursos públicos, agravado pelo imenso contingenciamento recente que essas áreas tiveram por parte do Governo Federal.
Dessa forma, a Diretoria da ANPUR repudia toda e qualquer tentativa de imputação de responsabilidade aos fatos ocorridos à UFRJ, tendo em vista a situação crítica de desmantelamento que as instituições públicas federais, e essa instituição em particular, vêm sofrendo.

Aproveitamos o ensejo para manifestar nossa solidariedade à Comunidade da UFRJ, nesse momento tão doloroso para a Ciência e a Cultura Nacionais e demonstrar nossa preocupação com boa parte do valioso Patrimônio Histórico, Cultural e Científico Nacional que se encontra sob responsabilidade de outras instituições públicas sérias e idôneas, mas que, contudo, contam com cada vez menos recursos públicos e privados para garantir a salvaguarda desse patrimônio.
03 de setembro de 2018

Novo Livro: Para Além da Sala de Aula. Extensão Universitária e Planejamento Urbano e Regional

Novo Livro: Para Além da Sala de Aula. Extensão Universitária e Planejamento Urbano e Regional

Está disponível para download o livro “Para Além da Sala de Aula. Extensão Universitária e Planejamento Urbano e Regional”. Fruto das discussões ocorridas no XVII ENANPUR, o livro, organizado pelos ex-diretores Camila D’Ottaviano (FAUUSP) e João Rovati (UFRGS), procura investigar o papel e os desafios da Extensão Universitária na área do Planejamento Urbano e Regional no Brasil.

Para acessar o livro, basta visitar a seção de Publicações em nosso site.