FÓRUM DE ENTIDADES EM DEFESA DO PATRIMÔNIO BRASILEIRO

A ANPUR está associada ao FÓRUM DE ENTIDADES EM DEFESA DO PATRIMÔNIO BRASILEIRO, criado, no dia 10 de outubro de 2019, por ocasião do 21º Congresso Brasileiro de Arquitetos, realizado em Porto Alegre. O fórum foi criado em defesa do IPHAN, num momento em que o governo federal indica pessoas sem formação reconhecida para superintendências estaduais. Representou a ANPUR, na reunião de criação do novo fórum, o professor JOÃO ROVATI, a quem a atual Diretoria agradece.

1º Seminário Científico Internacional em questões de Risco, Arquitetura Humanitária e Gênero

Entre os dias 6 e 7 de dezembro de 2019 ocorre o 1º Seminário Científico Internacional em questões de Risco, Arquitetura Humanitária e Gênero, que tem como tema: “Risco, resiliência, arquitetura humanitária e incremental housing em favelas: o papel das universidades, dos(as) profissionais de arquitetura, das áreas sociais e das Marias & Marielles.”. Ainda estão abertas as submissoes de resumos até o dia 07/10.

Maiores informações no link.

REVISÃO DO PLANO DIRETOR DE NATAL– NÃO À VERTICALIZAÇÃO DA ORLA!

A discussão sobre a revisão do Plano Diretor de Natal tem ocorrido conforme o calendário estabelecido pela SEMURB, órgão da Prefeitura de Natal, que coordena o processo. Vários fóruns, reuniões, manifestações e ações afins têm sido realizados, inclusive por outros órgãos da sociedade civil, com o intuito de discutir e apreciar as questões mais relevantes que irão indicar os caminhos para o desenvolvimento urbano da cidade. Natal sofre de crônica falta de infraestrutura. O mínimo que possui está degradado e tem recebido pouco cuidado das autoridades instituídas. São ruas esburacadas; calçadas irregulares, deterioradas ou não existentes; meios de acessibilidade ao espaço público precários; meios-fios tortos e danificados; lixo acumulado, mato, restos de materiais de construção e entulhos espalhados; esgotos e águas servidas correndo livres pelas ruas; muros altíssimos com infame proteção de arame, concertina ou cerca elétrica e eletrônica; paradas de ônibus sujas, quebradas, inseguras; praças abandonadas; iluminação pública insuficiente. Não há uma só rua da cidade – em bairros pobres ou ricos – que não tenha um ou mais desses problemas. A cidade carece urgentemente de um choque de urbanidade. O cuidado com esses aspectos já traria, para todas as pessoas, expressivos ganhos em qualidade de vida. E é tudo muito simples de fazer. Mas, em vez disso, energia desnecessária está sendo direcionada para a discussão sobre a verticalização da orla urbana de Natal, associada à discussão sobre a demolição do Hotel Reis Magos e a remoção de parte das comunidades de baixa renda, residentes nas proximidades há décadas. Não só diversos movimentos sociais da cidade como vários grupos e interlocutores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), inclusive e expressivamente muitos colegas e discentes do Departamento de Arquitetura, estão envolvidos nessas discussões. Obviamente que somos CONTRA tal processo gentrificador da orla, destruidor da paisagem, do patrimônio e da cultura locais. Os interesses do mercado imobiliário e de alguns outros setores da sociedade natalense não podem se sobrepor aos interesses do bem comum. Já há, na legislação local, espaço suficiente para a atuação dos interesses do mercado. Se não investem na área, é porque não querem. E, se a prefeitura não tem investido na infraestrutura urbana da orla, é porque esta orla tem servido mais às comunidades carentes que lá residem. Trata-se de um desinteresse de classe (para não falar preconceito). O mais grave de todo o processo não é haver discussão, debate, disputas de paradigmas, contradição de interesses. Isso tudo é muito salutar num processo democrático de discussão de um instrumento urbanístico que por lei tem de ser PARTICIPATIVO. O que é alarmante é o DESRESPEITO de alguns participantes em relação à atuação de professores e alunos da UFRN. Pegam carona nessa onda de descalabros incitados (talvez se sintam autorizados para isso) por um (des)governo quase autoritário, instalado no país, que prega a violência, a destruição do meio ambiente, o desrespeito aos direitos humanos, o politicamente incorreto e, agora, o combate às instituições federais públicas de ensino superior. A Presidência da ANPUR (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional) vem aqui se unir e se solidarizar com os colegas e discentes da UFRN, e demais movimentos associados, esperando que as discussões em torno da revisão do Plano Diretor de Natal passem a ser realizadas com a observação do devido respeito entre os diversos interessados envolvidos.

Márcio Moraes Valença

Presidente da ANPUR