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A soberania latino-americana sob ataque: ANPUR condena invasão à Venezuela

07/01/2026

A ANPUR manifesta seu repúdio veemente à inaceitável intervenção bélica e imperialista promovida pelo governo dos EUA sobre a República Bolivariana da Venezuela, com o cerco aeronaval à sua costa, agora seriamente agravado com o assassinato de dezenas de militares e civis a sangue frio e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores, em 3 de janeiro. Esta invasão e os crimes cometidos constituíram um ataque brutal a toda a América Latina, ao arrepio dos princípios democráticos e do direito internacional, sob os surrados e antigos argumentos de guerra ao narcotráfico. Esse precedente autoritário de imposição de mudanças políticas pela supremacia bélica militar nunca escondeu os interesses estratégicos extrativistas de se apoderar de recursos naturais e minerais, especialmente o petróleo, da Venezuela.

A soberania e a integridade territorial e política de qualquer Estado são um princípio basilar da Carta das Nações Unidas, violentado frontalmente pela ação unilateral dos Estados Unidos, que desrespeita a soberania nacional da Venezuela e fragiliza toda a ordem internacional. Trata-se da histórica tradição imperialista de um país usar seu poderio militar, arrogando-se o “xerife da região” da velha Doutrina Monroe, que promoveu tantas barbáries e ditaduras militares na América Latina. É gravíssimo o impacto que esse precedente projeta sobre a região, historicamente marcada por lutas pela autodeterminação de seus povos e pela afirmação de sua soberania. Assim, entendemos que a invasão à Venezuela não pode ser vista como um ataque isolado a um país específico, mas como um alerta que reacende a necessidade da solidariedade de todos os povos, movimentos, associações, entidades e instituições latino-americanas.

Nossa comunidade anpuriana, que mantém longa tradição de produção científica de estudos territoriais críticos, denuncia que a integridade territorial e a autonomia política da região não podem, mais uma vez, se vergar sob a ameaça da velha lógica imperial que reincide em tratar toda a região como território subalterno seu, à maneira de um quintal estratégico.

Esta ação deve ser denunciada como a atualização de uma arcaica e recorrente geopolítica imperialista unipolar, de submissão de nações soberanas aos seus amesquinhados interesses econômicos estratégicos. Mais ainda porque as resistências e o repúdio ativo às práticas autoritárias e ao intervencionismo bélico imperialista fazem parte, há séculos, das melhores tradições do pensamento e da ação crítica, plural, democrática e progressista latino-americana, nas quais nos inserimos como comunidade acadêmica e científica.

Ressaltamos a importância do posicionamento do governo brasileiro e da ONU, que, por maioria dos países membros do Conselho de Segurança, criticaram e rechaçaram a bárbara intervenção do governo Trump, invocando as normas e o direito internacional que foram aviltados, e exigindo respeito à soberania e à autodeterminação da Venezuela sobre seu território e suas riquezas naturais.

Reafirmando o princípio inalienável e inegociável da soberania e da autodeterminação dos povos, vamos seguir na resistência e na contribuição crítica permanente na luta por cidades e territórios livres e soberanos, em uma região e um mundo mais justos, humanos, pacíficos e solidários.

Diretoria da ANPUR | Gestão 2025-2027