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A operação policial do dia 28 de outubro de 2025, em favelas dos Complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, com o saldo de mais de uma centena de mortes (em sua maioria de jovens negros, mais uma vez), desafia nossas compreensões sobre cidade e raça, e sobre como o planejamento e as políticas urbanas se articulam com o racismo em nossa sociedade.
Isso ocorre quando se aproxima o Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro — uma marca de memória e resistência, pois homenageia Zumbi dos Palmares e a luta histórica do povo negro contra a escravidão e a opressão. Mais do que lembrar o passado, a data nos convoca a reconhecer as desigualdades estruturais e a reforçar a urgência de ampliar a consciência social e política sobre raça, território e justiça urbana.
No campo do planejamento urbano e regional, as lutas negras transformam o conhecimento, as práticas e as políticas. Elas influenciam a produção acadêmica, a formulação de políticas públicas e a construção de cidades mais inclusivas, equitativas e sustentáveis. Pluralizar vozes e reconhecer saberes negros é essencial para superar paradigmas que, historicamente, invisibilizaram corpos, territórios e memórias.
Qual o lugar do racismo e do antirracismo em nosso campo? A Diretoria da ANPUR e a Rede Negra do Planejamento Urbano e Regional realizarão um levantamento nacional sobre ações afirmativas e a presença de pessoas negras nos programas de pós-graduação afiliados. A iniciativa reafirma o compromisso da Associação com a diversidade, a equidade racial e a consolidação de um campo acadêmico plural, consciente e comprometido com a justiça social.
O 20 de novembro é celebração e chamado à ação: reconhecer o passado, transformar o presente e imaginar cidades que respeitem, valorizem e coloquem a potência negra no centro do planejamento.
Saudações Anpurianas,
Renato Emerson dos Santos - Diretor - Gestão 2025-2027
Rede Negra de Planejamento Urbano e Regional |